Neurociências Aplicadas ao Consumo

As Neurociências estão no nosso mundo!

10 Neuromarketing Trends para 2016 — 1 de Janeiro de 2016

10 Neuromarketing Trends para 2016

Desde algum tempo que a Neurociência se vem implementando no marketing, economia e outras ciências ou áreas de estudo. Como fruto dessa intersecção, pela observação atenta do nosso trabalho, lendo e estudando para vários clientes, realizando estudos e investigações, decidimos realizar 10 tendências para 2016 para oferecer a todos os interessados na área do neuromarketing e para curiosos do marketing, consumo e branding. Estas tendências podem ser aprofundadas no novo livro “Princípios de Neuromarketing” lançado em 2015, com a justificação técnica de todas elas, entre muitas mais que poderíamos traçar. Assim cá vão, 10 tendências de Neuromarketing para 2016.



1. Neuro is trend… is fashion… and results!
Neuro vai ser tendência.. vai ser moda… e vai ter muitos resultados!

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Fonte da imagem: Revista Forbes – Nielsen

Cada vez mais existe um crescendo de estudos de neurociências aplicadas ao consumo, o volume de publicações científicas aumenta, a tecnologia disponível aumenta e os preços tornam-se mais acessíveis. As grandes empresas como a Nielsen, DDB e outras já possuem os seus próprios laboratórios de Neurociencia Aplicada. Surgem novas áreas de estudo com muita força, como a Neuropsicologia, a Neuroeconomia, a Neuropsiquiatria, a Neuroarquitetura, o Neurodesign, que cada vez mais ganham destaque e impacto na sociedade eliminando a necessidade de estudos com menos certezas. Os estudos de desenvolvimento de produto, adaptado ao cérebro dos consumidores, como a Coca-Cola Zero, alguns produtos do MacDonald’s, aromas de carros como a Mercedes, entre outros, passarão a ser a norma, mas não em 2016 ainda… existe um trabalho de maturação nos decisores das empresas que precisam de entender as provas dos que avançam em primeiro. A engenharia de desenvolvimento de produto e a neurociência só começarão a dar as mãos em 2016. Podemos assegurar hoje que as Neuro, depois do investimento dos EUA na década de 90 no estudo do cérebro, vieram para ficar e em 2016 vai ser uma realidade que quem não aproveita, vai ficar a perder!


 

2. The insula will became mainstream
A ínsula vai ser muito trabalhada no mercado!

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Fonte da imagem: Netter Anatomy

Cada vez mais se começam a observar estratégias de enquadramento na perda. Depois do impulso dos estudos de Daniel Kahneman e Amos Tversky em Economia Comportamental e que lhes valeu, a dois psicólogos, um prémio nobel da economia, as ciências económicas e de comportamento jamais poderão deixar de trabalhar em conjunto. Saber que a ínsula reage à aversão e à perda, é um conhecimento que tem vindo a ser suportado por imensos estudos que validam o mesmo resultado: a ínsula quando ativa, aumenta imenso a probabilidade de uma decisão negativa. Assim, para estabelecimento dos preços, de produtos e design, os estudos com suporte pela “não” ativação da ínsula, vão ser “moda” e espera-se um aumento significativo de publicações nesta área. Assim, mais do que saber o que o consumidor pretende, vamos querer saber o que ele não pretende.


 

3. Experience with Emotion
Experienciar com emoção

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Fonte da imagem: brazilsfe.blogspot.pt

Muito se fala de emoções desde à muitos séculos. Porém, só agora começamos a possuir tecnologia para poder “ativar” seletivamente as emoções. Muito baseado no impulso de António Damásio, as emoções e os sentimentos, podem hoje ser “provocados” por “estímulos emocionalmente competentes”. E sabemos que isso reside na experiência… porém, já não temos que nos “fiar” na criatividade de alguém ou apenas no “achómetro”. A neurociência aplicada vai poder, finalmente, validar se as experiências geram ou não emoções, e se são positivas ou negativas. As emoções geram agregação às marcas e relações,  vão tornar-se tendência neste 2016 sugerindo que vêm para ficar. Os experienciadores de marcas vão ser necessários… desde que saibam medir o impacto da emoção que pretendem gerar para diminuir o risco do investimento. Quer uma relação? Provoque experiências positivas duradouras com um bom plano de Customer Experience Management!


 

4. Rise of evangelists
O ressurgir dos evangelistas

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Fonte da imagem: Wikipédia

Com o proliferar das redes sociais, também a informação prolifera com emoções agregadas. As marcas, ao tornarem-se crenças ou significados, aumentam o significado de marcas. Assim, em 2016 as marcas vão necessitar de gerar os seus grupos tribais de evangelizadores. Isso vai carecer de um plano de manutenção de pessoas agregadas com continuidade à marca. Como que de uma vertente relacional de marcas. Com a facilidade de comunicar via redes sociais, previmos que em 2016, serão os próprios clientes a evangelizar as marcas, sugerindo a diminuição do investimento em publicidade e aumento do investimento em geração de experiências não esperadas ao cliente. Isto torna os clientes em evangelizadores da vossa marca, mas só se a crença se enraizar… e quanto tempo demora a enraizar? 66 dias… e a manutenção? Sugere-se que pelo menos uma experiência por mês… como fazer? Aí já requer o ponto 3 acima descrito com medição!😉


 

5. Pay for cool, not for low cost: The Orbitofrontal strategy grow
Pagar pelo fantástico, não pelo custo baixo: A ascensão da estratégia Orbitofrontal

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Fonte da imagem: sciencedaily.com

O córtex obritofrontal, tido como uma das estruturas que ativa em processos motivacionais, de recompensa, entre outros, manifesta-se mais ativo em experiências positivas relacionadas com o aumento de dopamina, do que em processos em que a pessoa paga menos. Assim, prevê-se em 2016, um decréscimo dos conceitos “low-cost” com dor de pagar depois e aumento dos conceitos que provoquem surpresas e experiências cool ao preço justo. A possibilidade de pagar é um ponto fulcral, ou seja, se o cliente pode pagar um pouco mais pela experiência, irá pagar um pouco mais. O preço é importante e os clientes possuem cada vez mais informação. Assim, conceitos que estimulem a ativação do córtex orbitofrontal, tendem a ser melhor arquivados na memória dos consumidores e a ser repetidos, ao passo que os conceitos low-cost poderão ser escolhidos uma vez e depois descontinuados perdendo a fidelidade do consumidor.


 

6. The real me and my brand
O EU verdadeiro e a MINHA marca

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Fonte da imagem: Delta Q – Grupo Nabeiro

As pessoas não gostam de ser tratados como mais um… as marcas que personalizam o atendimento, comunicação e experiências, conseguem obter mais atenção e fidelização do cliente. Assim, prevê-se que conceitos que se aproximem do cliente, sem enganar, de forma transparente, sejam mais preferidos pelos consumidores em 2016. A amígdala que ativa nos processos de medo, porém, também nas experiências de “engagment” positivo dos clientes com as marcas. Novas marcas sinceras e honestas com os clientes, vão tornar a marca como a marca dos clientes, e quanto mais personalizada e pessoal se tornar, ainda melhor. Marcas como a Delta Q, já utilizam um produto personalizado em que o cliente produz o seu próprio café e personaliza a embalagem. O cliente que se sente a marca sua e a amígdala fortalece a marca no hipocampo, realizando um processo de priming positivo.


 

7. NeuroBrands get Real Lovers
As NeuroMarcas conquistam Apaixonados Verdadeiros

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Fonte da imagem: brandingyciencia.blogspot.com

Quando uma marca cria um “engrama” de memórias, a marca liga-se às memórias já existentes atribuindo significado à marca. Criar um conceito de marca em que se pensa para o cérebro dos clientes, proporciona aos mesmos uma ligação de conceitos e crenças que se tornam de difícil substituição, transformando a marca numa crença, como acontece na religião, nos partidos políticos, na música ou nos desportos. As pessoas criam crenças baseadas em premissas das marcas, e essas premissas devem ser agregadoras. Em 2016, prevê-se que marcas de afecto, como a Apple, a Coca-Cola, a Samsung, o Facebook ou o Google, continuem a crescer pelo trabalho de agregação emocional e de extensão de pontos de toque com o cliente. As marcas pensadas aumentarão os apaixonados e o grande desafio será: Não desiludir!


 

8. The end of sales man: experience brander will born
O fim dos vendedores: Os gestores de experiências de marca vão nascer

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Fonte da imagem: Marissa Boesel – Pinterest

As equipas de vendas tradicionais vão aparentemente diminuir em 2016. Os gestores de experiências, vão substituir os vendedores tradicionais, que sobrecarregam o consumidor com informação. As equipas de vendas assumem cada vez mais um plano de gestores de relação, e a relação só funciona quando não existe interesse e é real. Assim, as marcas que entenderem como se conquista um cliente, aumentando os níveis de dopamina, serotonina e oxitocina, podem na verdade criar novas relações, com mais durabilidade e deixam de vender: Será o cliente a começar a comprar! Pensar no formato da informação com novos modelos de como funciona o cérebro nas relações, irá aumentar os resultados das equipas com gestores de experiência de marca.


 

9. The tribe is getting smaller, but stronger
A tribo está a ficar mais pequena, mas mais forte

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Fonte da imagem: Tonya Fettig – Pinterest

As redes e grupos muito grandes, perdem coesão e geram desinteresse pela perda de proximidade. O valor não vai estar nas grandes tribos, mas nas tribos mais coesas. As crenças enraízam-se em grupos mais pequenos com muito mais força, pela proximidade dos membros com os líderes, pelo facto de sentirem mais pertença e por outros. Isto faz com que o sentimento de segurança também aumente. Este aumento de oxitocina gerado pelo grupo pequeno, faz com que os grupos tenham tendência a diminuir, o que como consequência, fará reduzir o tempo passado em redes sociais. Prevê-se que o LinkedIn, por exemplo, tenha um crescimento muito grande em 2016 e o Facebook, por sua vez, tenha um decréscimo da sua atividade pelo formato de segmentação. Talvez novas redes mais segmentadas, possuam mais sucesso em 2016. Por isso criar grupos de redes pequenas, como os amantes dos Smart, ou dos Mini, se torne mainstream para várias marcas que pretendem agregar grupos mais segmentados.


 

10. Me and my brand – pure egoism and personalization
Eu e a minha marca – Puro egoísmo e personalização

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Fonte da imagem: BlueSpectacles – Youtube

O egoísmo do ser humano é inegável. Quer pela forma como se expõe nas redes sociais, quer pela importância que dão a assuntos mais próximos, e menos a assuntos, que ainda que gravosos, como estão longe, são menos importantes para o individuo. Esta perceção, fará com que as marcas tenham que se preocupar, através de Storytelling, mostrar aos seus clientes o quão pessoais e personalizáveis podem ser, demonstrando o que o cliente tem a ganhar. 2016 será um ano de retoma económica, mas muito mais seletivo e mais emotivo. Tudo o que não disser nada ao sujeito ou aos seus, quer pelo que tem a ganhar, mas muito mais pelo que não tem a perder, não vai ter interesse para ele. Assim, com mais mentes stressadas e deprimidas, as marcas que oferecem melhor bem-estar e felicidade, tenderão a ser mais repetidas, ao passo que marcas que geram stress, tenderão a ser inibidas, como é o caso das operadoras de telecomunicações, que seguem modelos tipicamente americanos antigos, e que com o surgimento de operadoras mundiais, como se prevê que aconteça com a Apple e como está a acontecer com o Netflix, podem mudar o paradigma do consumidor que se sente explorado e enganado pelas marcas, trocando para o seu prazer e ganho pessoal imediato!

Assim, 2016 vai ser um ano com Neurociência… veja mais informação no livro “Princípios de Neuromarketing” lançado em 2015 e no Master Course de NeuroMarketing da ICN Agency.

Conhecendo o cérebro do consumidor pode produzir-se melhor, e como refere o meu estimado amigo Carlos Fernandes da Silva, preferiam a autoridade da evidência à evidência da autoridade: A neurociência aplicada gera resultados por todo o mundo… e sem enganar nem manipular os clientes, produzindo apenas melhor para eles!

Este artigo tem todos os direitos de autor em todas as línguas reservadas a Fernando Rodrigues

Os espaços pensados para os sentidos… — 22 de Junho de 2015

Os espaços pensados para os sentidos…

Certa altura, uma aluna minha de Mestrado, coloca uma questão que me fez reflectir imenso sobre o trabalho que hoje faço. Dizia a Joana:

“Professor, porque é que temos que saber estas coisas todas do cérebro, os neurotransmissores e os sistemas sensoriais, se somos alunos de Marketing?”

Esta questão, provocou uma espécie de turbilhão de emoções e uma espécie de comichão mental, ao que respondi com uma questão provocadora:

“E qual é o seu trabalho? Com quem trabalha… e para quem trabalha? E o que somos nós?”

Ao que respondeu a Joana:

“Eu trabalho para comunicar com pessoas… e somos pessoas! Ok… já percebi!”

De facto, o trabalho das Neurociências Cognitivas Aplicadas ao Consumo, resumem-se a estudar pessoas (e suas interações) de forma a aumentar a eficácia das intervenções e mudanças nos produtos/comunicação.

Na nossa Pós-Graduação de NeuroMarketing a decorrer no Brasil, falamos de espaços preparados para os sentidos e fez-me realizar uma pesquisa mais aprofundada. Nessa pesquisa, encontro um artigo na Science, que propõe que o nosso cérebro, principalmente o córtex, não é tão especializado como se acreditava (colocando em causa todas as “pseudo”teorias do “botão da compra”, e também as da frenologia ou até golgianas), mostrando mesmo que é muito dinâmico quando toca a partilhar informações, de acordo com Siegel, Buschman e Miller (investigadores do MIT).

O facto é que, aparentemente durante os processos de tomada de decisão, ou escolhas de comportamento flexível, emerge de um emaranhado frontoparietal a partir da integração dos fluxos opostos de informação sensorial e da tarefa, que aparenta ser uma informação multivariável.

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Imagem: Esta imagem mostra os resultados para a interação dinâmica do sensorial, de tarefa e de sinalização no córtex do cérebro: a informação sensorial (à esquerda) fluiu a partir da V4 e MT para várias outras regiões corticais; informações sobre a tarefa (centro) começa na V4 e TI, antes de fluir para a frente e para trás; sinais de escolha (direita) construído em PFC e LIP, antes de viajar para regiões corticais na frente e de trás do cérebro.  Créditos da imagem:  Siegel, Buschman e Miller, 2015.

“Algumas áreas podem processar mais movimento do que cor, outras podem processar mais cor do que movimento, e às vezes podemos ver as informações estimulando mais numa área em detrimento da outra.”, diz Miller. “Mas geralmente a informação é distribuída por todo o córtex.”

Isto sugere que quando desenhamos um espaço de consumo, devemos possuir 7 pensamentos:

– Pensar as cores e verificar o impacto sensorial das mesmas;
– Pensar a noção de movimento de todos os espaço;
– Pensar o aroma e o estímulos sensorial de ordores por forma a evocar estímulos;
– Pensar o chão… criar estímulos propioceptivos adequados à estimulação cortical;
– Pensar as texturas a colocar nas zonas de toque;
– Pensar os sons que o espaço vai emanar e como sincronizam com os ritmos circadianos;
– Pensar os brilhos e as emoções a provocar pela temperatura!

Depois… mais do que pensar e achar, temos que testar e comprovar! Acreditem que assim se fidelizam muitos mais clientes! O que acham?

Devemos pôr fim ao achómetro medindo o impacto sensorial que nem sempre, ou como vemos agora, é linear, sugerindo que cada espaço é um espaço… Não existem fórmulas!

Fernando Rodrigues

Será que existe uma fórmula para a felicidade? Um caminho pelo menos… — 7 de Fevereiro de 2014

Será que existe uma fórmula para a felicidade? Um caminho pelo menos…

“Quão loucos são os homens, que tentam fazer as coisas da mesma forma e obter resultados diferentes!” Albert Einstein

Bem, aqui está um tema complexo… o verdadeiro caminho e Valor da Felicidade! Por recomendação de alguns leitores, que pediam que simplificasse os meus textos “técnicos”, achei melhor contar-vos uma estória para ilustrar este tema que tem deveras uma elevada complexidade. 

Num belo dia de verão, Ginestélio (o nosso personagem principal), debatia-se com um pensamento… o que quero eu da vida? Qual o meu maior desejo de vida? Após muito debate interno, desde pensar que pretendia ter dinheiro e após rapidamente perceber que afinal, o que ele pretendia eram coisas que o dinheiro poderia comprar para o fazer feliz, decidiu assumir como principal valor da sua vida, o Valor da Felicidade.

Começando a investigar e analisando o que é a Felicidade, Ginestélio descobriu desde as mais remotas teorias e conceitos explicativos, desde a filosofia, psicologia, sociologia e até à antropologia. Porém, escolheu a abordagem da neurociência da felicidade, um conceito que lhe pareceu mais lógico, devido ao seu pensamento crítico, mas muito lógico-dedutivo, percebendo que as emoções são resultado da atividade cerebral, logo seria aí que pretendia começar.

Assim, como referia Kringelbach, Ginestélio achou por bem definir qual a diferença entre felicidade e bem-estar do ponto de vista neurológico. Neste campo, existem dois conceitos base no estudo e investigação sobre a Felicidade, hoje em dia: O PRAZER e o DESEJO. 

Ginestélio identificou-se muito com Jeremy Bentham, um filósofo do Séc. XVIII, que procurava uma sociedade da felicidade, ou seja, uma sociedade de desejo e prazer, com objetivos que fossem sendo realizados, ou seja, uma sociedade, que no entender dele conseguisse ter todas as pessoas felizes, em igualdade, liberdade e com muito entendimento.

Aprofundando o estudo, Ginestélio percebeu que estes dois processos (que têm como base dois processos neuroquímicos) podem ter como consequências a diminuição de comportamentos normativos como a fome, a sede e até, a prática de sexo (ou a necessidade de), talvez pela hiperatividade hipotalâmica gerada, e tem que ver com a descarga de dopamina, como nos referem alguns estudos efetuados com Olds & Milner na década de 50. Logo, se formos mais Felizes, até podemos ser menos obesos ou ter mais saúde – concluí Ginestélio.

Nesta senda, na década de 60, Heath, investigador da Universidade de Tulane, ao efetuar algumas experiências que tentavam “curar” a homossexualidade (que mais tarde acabaram por ser suspensas as investigações) e mais recentemente corroboradas por Berridge na universidade de Michigan, perceberam que os mesmos estímulos elétricos em determinadas zonas do cérebro de ratos e de humanos, ativando as mesmas regiões anatómicas, as que causavam “Felicidade” eram as mesmas regiões envolvidas no desejo e não de prazer, o que leva Berridge a referir que o querer e o gostar, têm não só processos neuroquímicos diferentes, como também estruturas a serem ativadas de forma diferente.

Ginestélio começa assim a entender a grande diferença entre desejo e prazer, é que o DESEJO tem a ver com o QUERER e o PRAZER tem a ver com o GOSTAR, um é projetivo, o outro é sensitivo, o primeiro é a expectativa, o percurso, a idealização, o futuro; já o segundo é a consumação, a avaliação e o final.

Assim, Ginestélio sugeria que a dopamina parece codificar o desejo, ao passo que o sistema de opióides (estimulado pela libertação de dopamina e não só) é muito mais próximo do prazer.

Esta sugestão, leva-nos ao Córtex Orbitofrontal como sendo a estrutura central para a Felicidade, pois está relacionada, quer com o sistema de opióides, quer com o sistema dopaminérgico. Curiosamente, nos estudos de Knutson, é também no córtex Orbitofrontal, mais especificamente no Córtex Pré-Frontal Ventromedial, que se situa a “agregação” e indexação às marcas, que como refere Damásio, está associado com a aprendizagem, fazendo um resgate de memórias predizendo ganhos/perdas. Ginestélio também descobriu que é também nesta zona que se regula a expectativa de recompensa e a valência afetiva. Existem vários estudos que mostram a ativação do córtex Orbitofrontal em relatos de prazer e desejo, parecendo que o prazer sem desejo, um estado de contentamento e indiferença (por exemplo, procurado pela meditação no budismo). 

Já no ano 2000, Bechara, Damásio & Damásio, escrevem um artigo brilhante sobre a emoção, processo de tomada de decisão e córtex Orbitofrontal, propondo que a Hipótese do Marcador Somático, onde o processo de tomada de decisão é influenciado por sinais somáticos nos processos bioregulatórios incluindo as emoções e os sentimentos, sendo que o córtex Orbitofrontal (apesar de não estar a sós) desempenha um papel fundamental na decisão. Ora, se a Hipótese do Marcador Somático de António Damásio refere que, um problema nas emoções e nos sentimentos, assim como nas estruturas encefálicas que os regulam, influencia muito no nosso processo de tomada de decisão. Logo Ginestélio, conclui que a felicidade, torna-se assim um ponto fundamental para a nossa vivenciação diária e para a boa tomada de decisão.

Ginestélio continuou a indagar-se na sua sala ilustrada com livros de couro encadernados… se conseguimos perceber felicidade, parece assim um fenómeno consciente. A questão é: Será que existe algo “acima”, ou seja, algo que se passa além da linearidade do desejo e do prazer? Será a felicidade um epifenómeno? Será que é algo que apenas depende de nós, ou depende também de algo externo que transmuta e transcende essa percepção e vivenciação da verdadeira Felicidade? Será um conceito platónico que só pela transcendência do Psiquê (mente) e do Somatós (Corpo) atingindo o Nous (Alma), é que se consegue perceber e viver a verdadeira felicidade?

No entender de Ginestélio, a percepção da Felicidade sofre um processo muito próximo da consciência, e referindo as palavras de um grande amigo que falava da consciência, o Prof. Carlos Fernandes, ele achou que a Felicidade se “relaciona com a subjetividade – o que é próprio do sujeito na relação com o objeto – e com a objetividade – o que é próprio do objeto na relação com o sujeito”, ou seja, o significado (a vivenciação do que para cada um de nós significa prazer) e o significante (os elementos externos que nos proporcionam esse prazer e sobre os quais temos desejo). Por exemplo, quando Ginestélio conheceu a Abromília, uma pessoa que lhe era indiferente quando a conheceu apresentada por uma amiga (Abromília passa a ser o significante), porém, mais tarde, a relação de Ginestélio com Jolantina termina e ele procura outra pessoa para viver a vida com ele, olhando para Abromília sente que pode ser a pessoa ideal para ele e achou-a muito mais bonita que antes (o significado), fazendo com que o significante (que continua a ser o mesmo), passe a ser alvo de desejo, ou seja, atribuição causal de futura Felicidade, apesar de o significante não mudar, mudou o significado que é pessoal e um fenómeno interno, ou um epifenómeno, como referia Alfred Whitehead na Teologia do Processo, “a realidade não é feita de substâncias materiais, mas por eventos ordenados por uma série, que são experimentais na natureza”. 

Logo, para Ginestélio, a Felicidade carece então de dois processos, o sentir (como ato do fenómeno físico) e do vivenciar (como epifenómeno da mente que processa o sentido), é preciso sentir acima, ter um “gut feelling”, ou seja, é a epifania do querer, quando perspectivamos que o algo que queremos, se revela como que pré-mostrando a recompensa que vamos ter: ou seja, o DESEJO.

Mas Ginestélio ainda acha que a Felicidade não é um processo simples, mas sim uma hierarquia emaranhada (tangled hierarquie) ou seja, é uma espécie de lloping interminável (como refere Kurt Godel) indicando que tudo está relacionado com tudo (para a obtenção do processo da Felicidade), – ou seja, o prazer e o desejo – mas que, ao mesmo tempo está relacionado com nada, visto que é na meditação, ou seja, no niilismo, na indiferença, que Ginestélio, que é budista encontrava muitas vezes a felicidade.

A questão de base é que, e de acordo com António Damásio, a Felicidade (como outras emoções) não é fruto das decisões que tomamos, mas sim a causa das decisões que vamos tomar. Ora isto posiciona o DESEJO como ponto de partida principal para a Felicidade, ou seja, as pessoas que imaginam, que procuram coisas que as realizem, que lutem por isso, que percorram os caminhos para atingir o PRAZER futuro, vão aumentar os níveis de Felicidade (ou dopamina + serotonina), criando neste looping emaranhado, uma espécie de simbiose e ação-reação, que vai tornar a nossa vida mais feliz (com DESEJO e consequentemente PRAZER). 

Neste sentido, Ginestélio percebe que ser feliz é ser alguém que DESEJA muitas coisas, que luta por isso e que faz o caminho, e que por vezes encontra o PRAZER, não ficando satisfeito e procurando e desejando sempre mais prazer. 

Ginestélio apercebeu-se que afinal, o comodismo que sempre procurou como objetivo de vida, ter uma vida estável, ter dinheiro suficiente para fazer a sua vida e comprar as suas coisas, ter bens que o permitam deixar “tranquilo”, ter uma vida familiar rotineira e deixar de procurar mais PRAZER, era assim a causa da perda da verdadeira Felicidade que ele já tinha tido quando procurava conquistar tudo isso. Isto não quer dizer que os valores da família são maus para a Felicidade, pelo contrário, quando o DESEJO e o PRAZER dos pais se transfere para os filhos, quando a família procura novos DESEJOS comuns e encontra PRAZERES comuns, esta pode tornar-se a essência da Felicidade… e Ginestélio sentia essa felicidade na família.

Neste sentido Ginestélio definiu um caminho para ser mais FELIZ… assim comprometeu-se a procurar novos DESEJOS, buscar novos e antigos PRAZERES, manter a busca dos nossos sonhos sem desistir deles, evitar o comodismo e a vida rotineira, aprender algo todos os dias, estimular a nossa dopamina e serotonina (na justa medida) estando com os amigos, comendo umas delícias de vez em quando, dançando e sorrindo… e comprometeu-se também a treinar a sua motivação intrínseca, não esperando pela motivação externa de um salário, de um trabalho estável, enfim… aprender a viver com o que tem e não com o que já teve… lutando com felicidade pelo que quer vir a ter! 

E Ginestélio atingiu o caminho da Felicidade… e descobriu isso mesmo que é um caminho e não um destino. Descobriu que se esperamos que seja o nosso entorno a proporcionar-nos a Felicidade, possivelmente o nosso organismo vai-se acomodar e o que iremos encontrar é apenas o seu contrário! Sugere assim o Ginestélio que é Feliz:

Vivam com intensidade, sonhem em conjunto e nunca se acomodem: Afinal esse é o caminho da Felicidade!

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