Ora bem,

Como o prometido é devido, cá fica mais uma das minhas deambulações sobre a mente e a interação do mundo com ela!!!

Hoje achei interessante falar de um autor muito curioso, Franz Anton Mesmer, que em 1773 fez o primeiro tratamento com magnetismo animal, ou também conhecido por fluído vital, que é entendido pelo autor como um estado particular de vibração do fluído universal. Parafraseando uma citação que encontrei na Wikipédia:

“Nem a luz, nem o fogo, nem a electricidade, nem o magnetismo e nem o som são substâncias, mas sim efeitos do movimento nas diversas séries do fluido universal.”

No fundo, Mesmer definiu o magnetismo animal como a capacidade de um sujeito causar efeitos similares ao magnetismo mineral noutra pessoa, propondo assim a cura magnética e defendendo que cada ser humano possui um magnetismo próprio, sendo o próprio curador.

Esta teoria, desaprovada pela sociedade da época, valeu mesmo a Mesmer a sua expulsão da comunidade médica da altura, mas é seguido hoje em muitas terapias alternativas como o Reiky, o Mesmerismo, entre outras.

Porém, as ciências ocultas apossaram-se dos estudos de Mesmer e fundaram o Mesmerismo chamando a esta ciência Hipnose (ver vídeo). A Hipnose do ponto de vista clínico é já aceite e não sendo considerada uma ciência oculta, trabalha sobre o inconsciente… ou melhor dizendo sobre os campos magnéticos que Mesmer abordava.

Mais tarde Carl Jung, no seu livro Os Arquétipos e o Insconsciente Coletivo, escreve um trecho onde assume que existe um processo de harmonia que interage com o tal fluído Universal de Mesmer, indicando o processo da purificação do ser humano, como um processo de renascimento iniciático para a nova vida:

“É necessário que um homem desça até a água, a fim de que se produza o milagre da vivificação (da água). O sopro do espírito que passa sobre a superficie escura é sinistro, como tudo aquilo cuja causa não somos ou então desconhecemos. É o indício de uma presença invisível de um nume cuja vida não se deve nem à expectativa humana nem à maquinação da vontade.”

Mas quem me conhece perguntar-se-à a esta altura porque estou eu a falar de esoterismo quando na verdade me proponho a abordar tudo de um prisma muito científico? Ora aqui está o cerne da questão. Toda esta discussão leva-nos a uma ciência em expansão denominada de Noética (muito dada a conhecer pelos livros de Dan Brown). Em busca de uma definição encontrei a melhor na Wikipédia (que recomendo a leitura de todo o artigo) que transcrevo:

“A noética (do grego nous: mente) é uma disciplina que estuda os fenómenos subjetivos da consciência, da mente, do espírito e da vida a partir do ponto de vista da ciência.”

A Noética (muito longe da Parapsicologia) debruça-se hoje sobre o estudo de campos energéticos magnéticos e elétricos. Após Jung, muitos psicólogos mostraram interesse nesta ideia geral de “inconsciente coletivo”, de que existe uma espécie de campo que concentrado nos une, como que uma supercorda invisível. A cura pela Fé começa a crescer nos meios mais recônditos da sociedade, mas a minha questão é: O que é isto da Fé? E o que tem a ver com o magnetismo???

Então cá vai a minha abusiva opinião…

Se falamos em magnetismo associado ao espírito, ao nous ou ao “inconsciente coletivo”, estamos a colocar algo de transcendente no campo do Magnetismo, pelo menos baseandos nas imensas teorias desde Mesmer a Jung que têm surgido ao longo dos tempos.

Num estudo recente de Yang et al. (2011) publicado no afamado Journal of Neurophysiology (Artigo Original), estudaram a exposição dos seres ao magnetismo. O desenvolvimento de “super magnetos”, a potencialidade de exposição prolongada a campos magnéticos estáticos começa a aumentar e por isso o interesse deste estudo. Então a ideia primária deste artigo foi identificar alguns efeitos desta exposição no cérebro humano a campos magnéticos.

Num estudo com moscas Drosophila Melanogaster, sugere-se que campos magnéticos podem interferir com as propriedades do potencial de ação, atividades rítmicas espontâneas e atividade no circuito olfativo, ou seja, existem células específicas no encéfalo da mosca que reagem à estimulação magnética.

Além do estudo acima, Liu et al. (2011) publicaram um artigo que aborda a influência dos campos magnéticos estáticos que agregada a medicamentos altera os efeitos dos mesmos no organismo, ou seja o magnetismo altera a nossa reação a estímulos externos.

Mas a minha dedução vai mais longe… Duncan MacDougall estudou a massa da alma do ponto de vista da física. Num estudo com seis pacientes, identificou que no momento da morte, perdiam cerca de 21 gramas, atribuindo este peso à alma. Na altura foi dada pouca credibilidade científica a estes estudos… mas pergunto eu, se a alma tem peso molecular, os pensamentos também, certo? E se um pensamento pode gerar campos, pode gerar magnetismo, certo?

A minha proposta é mais reducionista e vou deixar apenas algumas questões… Se um pensamento, para nós na área das Neurociências se reveste por deslocações de iões (Cl-, K+, Na+, entre outros) que geram polarizações e despolarizações nos nossos potenciais de membrana neuronais, não será possível criarem campos eletromagnéticos? E se temos nós, na leitura de Mesmer, o nosso próprio magnetismo, não podemos nós gerar um campo estático magnético próprio? E se estivessemos todos num local, como por exemplo um santuário, a pedir as mesmas coisas, com a mesma linha de pensamento, poderemos criar nesse local um campo magnético estático onde quem entra será “forçado” a criar a mesma linha de pensamento? São apenas questões…

Os factos são que a Fé é uma das únicas formas de tratar algumas patologias… por exemplo as adições!!! E não falo aqui da Fé religiosa apenas, mas da Fé em algo… As bases da Noética fundamentam-se nisso que desde o antigo Egito vem sendo abordado… existe uma interação entre a Psiquê (Psico = Mente), o Somatós (Soma = Corpo) e o Nous (Alma = Espírito)… e será possível controlar esta simbiose, ou sequer pensar em manter o equilíbrio entre a Mente e o Corpo, descurando a Fé, descurando a criação do próprio campo magnético que nos gera o tal “Yin-Yang”?

Bem… são estas as minhas reflexões pré-férias, deixando uma sugestão… encontrem o equilíbrio, a homeostase… pelo prazer… pela felicidade… pela Sabedoria, Força e Beleza… e agora pela Fé… a união a algo que nos transcende… um ser supremo… que podem ser iões, Deus, Allah, Buddha, Brahma, Shiva, Grande Arquiteto do Universo, autor do Big-Bang ou o que cada um quiser acreditar! No entanto é importante acreditar… quanto mais não seja em nós mesmos, que podemos ser parte de Deus… ou os próprios Deuses na Terra!

Enfim… respeitando com a maior tolerância todas as crenças, propondo apenas que se acredite… pelo menos em nós como seres completos!!! Outro dia falarei da função da música neste processo, ou entende-se que a música nos rituais é apenas um acaso? É a responsável pelas tais “vibrações” que nos falava Mesmer 😉 !!!

Por Fernando Rodrigues

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