Que bem me sabe este bife… que bom este chocolate quente… mas será que sabe mesmo bem ou parecerá melhor? Será uma realidade em si ou uma interpretação errónea, mas “saborosa” dessa realidade? E será que com os estímulos certos o mau passa a ser bom, o desagradável passa a ser agradável, enfim… será que ser transforma o chumbo em ouro como num processo alquímico?

Morin (1987) diz que o mundo sensorial, apreendido pelos sentidos, é uma criação do cérebro. O que vemos não é uma reprodução do que “está lá”, mas uma construção da própria realidade que o cérebro elabora. Quando a informação sensorial entra no cérebro, ela é distribuída pelas suas regiões, em função das características que apresenta. No entanto, dada a rapidez com que esse processo ocorre, o que experienciamos é um mundo sensorial unificado… isto é a base dos processos de aprendizagem… de uma marca, de um sabor, de uma imagem… enfim do mundo que nos rodeia… mas e se essa construção for distorcida, como acontece nos “de ja vú” em que por duplicação de uma informação que não foi indexada nesse mesmo momento, nos parece com toda a certeza que já passamos por esta situação?

Então aqui fica uma questão interessante… qual é a única condição para aprender? Será querer? Estar disponível para? De facto não é bem assim… para aprender existe de facto uma questão fundamental, o sujeito deve possuir estruturas de retenção mnésica… vulgo Memória!! Sem memória não podemos reter informação aprendida!!! E como enviamos nós informação para a memória? E o que tem a ver a Alquimia com tudo isto?

E o que é a Alquimia? Do árabe será a Ciência de Deus, ou química divina. Diz a história que a Alquimia era a ciência que pretendia transformar todos os metais em Ouro, a Pedra Filosofal, a partir do 4 elementos constitutivos da Natureza – Ar, Água, Fogo e Terra – criar o que mais tarde se denominou pelo elixir da vida eterna, ou elixir da juventude. Mais esotericamente, a Alquimia será a arte de trabalhar e aperfeiçoar os corpos em ligação com a natureza, como que controlar a interacção do Universo com tudo o que existe (Amarante, 2011). Mas vamos deixar a Alquimia para depois…

Neste momento torna- se imperioso distinguir aprendizagem de memorização, neste sentido e de acordo com Martin, Bartsch, Bailey & Kandel (2000, p. 121), a “aprendizagem é o processo pelo qual nós adquirimos informação acerca do mundo, e a memória é o processo pelo qual nós retemos a informação”.

Então e como guardamos a informação na memória??? Como fazemos para adquirir essa informação? Como fazemos para introduzir informação no nosso “disco rígido”? Ora… pelos inputs… ou seja pelos sentidos!!! E agora restar-nos-ia pensar em como estimular os sentidos!!! Mas será que serão apenas 5 sistemas sensoriais?

Nesta fase, em ciência conhecem-se cerca de 28 sistemas sensoriais diferentes, desde a propriocepção à nociocepção, entre outros… mas abordarei neste artigo cerca de 10 sistemas que são mais simples de estimular (alguns sistemas integram outros, por exemplo, apenas na cavidade bucal podemos encontrar sensores de temperatura, aspereza, sabor e textura, mas apenas iremos abordar o sabor). Mas a memória e a aprendizagem não é apenas um processo ontogenético, onde tudo se constrói como Jonh Locke referia, como uma “tábua rasa”, onde a mente se cria após a concepção do feto. Já em 1969, Bovet et al. num artigo publicado na Science (artigo original), descrevia os processos genéticos, ou melhor, filogenéticos dos processos de aprendizagem que subscreve a ideia de que nem todos podem ter um comportamento adaptativo (fundamental para o processo de aprendizagem e substituição de aprendizagens) que lhes permita serem “génios”. Mas num ponto existe consenso… a informação nova pode ser colocada no “disco rígido” apenas pelos sentidos, a nossa ponte de contacto com o mundo… a questão é que temos que entender mais do que os 5 sentidos!!!

Os inputs sensoriais ou estímulos externos podem ser captados por vários canais. Os inputs recolhidos pelos nossos sentidos são os dados em bruto que dão inicio ao processo de perceção (Solomon, 2002). Para detetar e processar os estímulos externos existem vários sistemas sensoriais. Cada sistema sensorial tem órgãos e sensores específicos, com recetores próprios e que convertem a energia ambiental em impulsos nervosos. É através desses órgãos e sensores específicos dos sentidos que o indivíduo recebe informações sobre o mundo. Estes funcionam como sensores que nos põem em contacto com os estímulos provenientes da realidade que nos rodeia. Vou fazer aqui uma breve abordagem a cerca de 10 sistemas sensoriais para compreender a Alquimia dos Sentidos!!!

A Audição

Todos os estímulos sonoros são constituídos por uma vibração mecânica que, ao propagar-se no ouvido interno pelo sistema coclear, sofre um processo de transdução coclear. O sistema auditivo é dos sistemas sensoriais que mais informação perde no sistema de envio de informação, pois é dos que sofre mais ligações ou sinapses, potenciando a sua perda (Habib, 2000). Os nossos ouvidos captam e transformam um estímulo acústico, que vai posteriormente percorrer os canais do nosso ouvido, transformando-se num código neuronal capaz de ser reconhecido, processado e compreendido pelo nosso cérebro. Ou seja… elementos químicos e elétricos!!!

O Olfacto

O olfacto é dos sentidos mais eficazes sendo responsável pela discriminação de cheiros e capacidade olfactiva. O olfato tem ligação direta, pelo epitélio nasal, ao bulbo olfativo, sendo um dos poucos sistemas sensoriais que não é sujeito a um tratamento de informação direta pelo tálamo, sendo que o processo de transdução é muito rápido e o organismo reage mais rapidamente a este sentido, pelo que o olfato apresenta-se como um importante processo modelador na atração, disposição (humor), preferências alimentares e deteção de perigo… e preferência de pares (Wilson, 2006).

O bulbo olfativo é o primeiro ponto de processamento e transmissão da via olfactiva, ele organiza as sensações em percepções. No que concerne à propagação do sistema central olfativo, White (2009) sugere que os estímulos são codificados por meio de padrões de atividades dos receptores que às vezes se sobrepõem. Estas informações olfactivas são passadas para um sistema de armazenamento de memória chamado de “armazenar o objeto”, onde uma representação existente de um odor é ativado ou uma nova representação é criado, dependendo se o cheiro é ou não novidade.

O processo de decisão é iniciado através de factores como os sistemas sensoriais, nomeadamente através do olfato, que está intimamente relacionado com as memórias e, consequentemente, com o hipocampo através da sua ligação direta à amígdala. Apesar de ser um sistema sensorial que muito ainda tem para ser descoberto, o facto é que um cheiro é algo que nos marca para sempre e muitas vezes condiciona a tomada de decisão e influencia a perceção que temos sobre uma comida, uma marca, um produto ou até uma pessoa. As memórias que incluem recordações associadas a odores têm tendência para serem mais intensas e emocionalmente mais fortes. Estas conclusões advém de estudos recentes, como por exemplo o estudo de De Martino et al. (2006) publicado na Science (artigo original) que posiciona a amígdala como uma estrutura que modula as decisões, sendo que um neurónio apenas pode disparar e condicionar os processos de tomada de decisão, de acordo com estudos recentes de Jenison et al. (2011) num estudo publicado no afamado Journal of Neuroscience (artigo integral). Mais uma vez estamos a falar de processos químicos que são recebidos…

O Paladar e o Gosto

Primariamente, o paladar teria uma função que se encontra associada à sobrevivência. O paladar permite-nos identificar e diferenciar os alimentos uns dos outros, orientando respostas adequadas, que favorecem a ingestão de alimentos nutritivos e inócuos e nos afastam de alimentos perigosos (Breslin, 2001; St. John & Boughter, 2008).

É, provavelmente, devido às projecções do paladar para o hipotálamo e sistema límbico, que existe uma forte ligação entre este sentido e as emoções. Alimentos doces evocam reações de prazer, enquanto os amargos de desgosto (Tortora & Grabowski, 2006). Todas as percepções de sabor nos seres humanos podem ser categorizadas através de uma ou mais combinações dos sabores primários (Breslin & Spector, 2008). Será por isso que se fazem negócios à mesa, que se comemora com uma bebida ou jantar ou que se conquista o par num jantar romântico?

Mas, não podemos falar de paladar e tomada de decisão sem falar da perceção de sabor. De facto, quando comemos ou bebemos experienciamos uma diversidade de sensações relacionadas com sabor, cheiro, toque, temperatura, visão, som e, por vezes, irritação/dor . É esta multifacetada experiência sensorial que constitui a base do sabor percebido (Delwiche, 2004), ou seja, quando sabe bem, não sabe apenas, por exemplo, uma marca ou a cor, muda de facto o sabor de um produto ainda que quimicamente este produto seja o mesmo, ou seja começa o processo alquimico que transmuta o produto pela conjugação de outros sentidos. É por isso que as pessoas mais “gordinhas” comem mais… porque no processo químico de comida, e tendo menos recetores dopaminérgicos, têm menos prazer na comida e comem mais para satisfazer a sua necessidade e para ter o mesmo prazer que os outros, como refere um artigo da Science elaborado por Stice et al. (2008) (artigo original).

Apesar de diversas sensações possuírem impacto na nossa perceção de sabor, parece haver uma interação ímpar entre paladar e olfato (Delwiche, 2004). A interação entre paladar e olfato é tão profunda, que os odores possuem a capacidade de alterar as propriedades do sabor. Pesquisas recentes demonstram que odores como baunilha, caramelo, morango e mentol podem aumentar o nível de doce percebido, em consequência da aprendizagem associativa (Auvray & Spence, 2008), ou como num estudo efectuado com alguns dos meus alunos, ao mudar a cor da luz da sala em que mudava a cor da gelatina de morango de vermelho para roxo, esta passou a saber a frutos silvestres… estarão a induzir o nosso organismo???

O sistema táctil

É espantosa a quantidade de informação que é captada pelo complexo sistema sensorial do tacto. O sistema nervoso utiliza interfaces entre o organismo e o seu ambiente, criando assim uma construção própria da realidade. O papel destas estruturas é o de transformar o estímulo físico numa mensagem reconhecível e descodificável pelo SNC (sistema nervoso central) e transferi-la para a terminação sensorial, isto é, o axónio do neurónio sensitivo com o qual o recetor está em contacto.

Segundo Ackerman (1997), são vários os receptores deste sistema sensorial: os corpúsculos de Meissner, os corpúsculos de Vatter-Pacini, os discos de Merkel, os corpúsculos de Ruffini e os corpúsculos ou bulbos terminais de Krause que permitem, no seu conjunto, apreender informações muito concretas acerca das formas, texturas, calor, frio, toque da pele, toque háptico e dimensão das coisas, entre outras (Santaella, 2001). No entanto alguns destes sistemas são sistemas sensoriais per si, como por exemplo as somestesias que descreveremos adiante.

Hoje já se fabricam sistemas de recolha de dados e estimulação sensorial dérmica, onde se podem recolher dados, por exemplo, marcadores somáticos, mas quem sabe também induzir sensações??? Este é um estudo recente de Kim et al. (2011) publicado na Science (artigo original) em que desenvolveram equipamento eletrónico epidérmico como apresentado na figura.

Os neurónios aferentes ou sensoriais, recolhem a informação a partir dos receptores e transmitem-na desde a periferia à espinal medula. Aqui chegadas, essas informações sensoriais, são transmitidas ao tálamo e finalmente ao córtex cerebral somatossensorial (Ebenezer et al, 2007). Imaginem agora se conseguirmos alterar essas sensações???

O sistema visual

A informação recebida é integrada num sistema complexo de dados provenientes dos outros sentidos, processados por diferentes circuitos cerebrais e por várias áreas funcionais do cérebro. “Estes processos são o fundamento da capacidade de extrair informação visual sobre nós mesmos e sobre o meio que nos rodeia” (Davidoff, 1983).

A perceção visual é influenciada por factores externos (cor, tamanho ou contraste, por exemplo) e internos (a motivação, a expectativa, a personalidade e a envolvente social). A primeira imagem que o consumidor “grava” de um produto é decisiva para uma escolha atual e futura, e o primeiro contacto acontece, a maior parte das vezes, através da visão. Não há sedução se não existir olhar… “ver é o primeiro oxigénio da paixão” (Marcondes, 2003)… e muitas vezes, por impulso, o sentido estimulado a seguir à visão é o tato: segurar o objeto, senti-lo, é uma das melhores formas de explorar e saciar a curiosidade (Gobé, 2002). A receção de informação pelos bastonetes e cones fornece uma perceção de interpretação de intensidade luz e refração de luz, por isso é que no “crepúsculo” tudo brilha mais aos nossos olhos… existe uma ativação simultânea de cones e bastonetes o que torna algo confusa a nossa visão… mas mais apetecível… por isso gostamos tanto do pôr do sol!!!

O Sistema Nocioceptivo

Os nocioceptores são os responsáveis pela percepção de estímulos dolorosos. Esta perceção afecta a forma com vemos as coisas e como as memorizamos. Num processo de tomada de decisão em que existem estímulos dolorosos a própria decisão fica condicionada, pois estes estímulos dolorosos são interpretados e integrados pelo tálamo e depois enviados para outros sistemas, modificando a informação adquirida (Habib, 2000). Um sujeito sob estímulo doloroso pode decidir sem racionalizar pois a interpretação sensorial fica afetada, porém a decisão pode ser de compra sem ponderação (quando o efeito de compra se propõe a resolver a dor) ou com eliminação imediata (se o objeto não se propõe a garantir prazer ao sujeito). Mais um estímulo que é interpretado de forma diferente, por exemplo, dependendo da informação que está a ser processada pelo tálamo e pela forma como os sentidos interagem com este, por exemplo um corte que não vemos, dói menos que um corte que vemos!!!

O sistema Temoceptivo

Os termoreceptores como o nome indica, são os responsáveis pela perceção de quente e frio, estando situados na terminação livre dos nervos. A regulação da temperatura, da fome e da sede, da vontade sexual entre outros sistemas de motivação primárias, são reguladas pelo hipotálamo, sendo uma estrutura do sistema límbico e que interfere fortemente sobre o processo de tomada de decisão.

Por exemplo, o núcleo hipotalâmico da área pré-optica média, zona que é estimulada pela temperatura, é em média, 2,5 vezes maior no homem que na mulher. Este núcleo é responsável pelo comportamento sexual e explica a eficácia no segmento masculino de produtos com uma estratégia de posicionamento erótico (LeVay, 1991), o que faz com que a noção de temperatura se altere… a própria cor altera a noção de termocepção. Será por isso que o Verão e o calor torna as pessoas mais sexy’s?

O sistema Exteroceptivo

Sensível a mudanças que intervêm no meio exterior, essencialmente aquelas que interferem no sistema cutâneo (pele), como por exemplo um pena que passa nas nossas costas, ou num balcão de atendimento, o tampo do balcão que está em contacto com o braço e mão do cliente. Estes distinguem-se do tacto pelo tipo de receptores (enquanto que no tacto os receptores utilizados são essencialmente de adaptação rápida – corpúsculos de Meissner e corpúsculos de Pacini –, no sistema exteroceptivo são essencialmente utilizados receptores de adaptação lenta – receptores de Merkel e corpúsculos de Rufini – que são menos numerosos que os anteriores) (Habib, 2000). Os estímulos acetinados tornam mais agradável o toque e por isso os sujeitos tendem a tocar durante mais tempo este tipo de texturas!!

O sistema Proprioceptivo

Tem como papel principal oferecer informações sobre a posição dos membros do nosso corpo uns em relação aos outros, por exemplo, mexemos as pernas para caminhar e necessitamos deste sentido para que elas caminhem coordenadas, em formação podemos ter em conta exercícios de movimentos alternados com os membros. Este sistema sensorial pode ser estimulado (conjuntamente com o cerebelo) pela irregularidade do solo, criando um desnível, ou bloqueando rodas de carrinhos de supermercado, criando zonas no solo de diferenciação, ou seja, uma zona com relevo e outra alcatifada, enfim, interferindo com a localização dos produtos, criando labirintos de Willis, entre muitas outras tarefas.

O sistema Interoceptivo

Organiza as regulações internas e é sensível a estímulos como a pressão arterial e a concentração de glicose no sangue, que contrariamente aos sistemas anteriores, este decorre de maneira inconsciente, por exemplo, quando estamos sob stresse este sistema atua colocando o corpo em alerta e tensão. Este sistema sensorial pode ser ativado com o batimento de música mais ritmada (aumentando o ritmo circadiano), oferecendo estimulantes ao sujeito (cafeína, chocolates, energéticos, entre outros), criando “pressão” no sujeito por forma a aumentar o níveis de ansiedade. Por isso quando dançamos numa discoteca, depois temos que acalmar para adormecer sendo que por vezes ainda sentimos o “batimento” na barriga… e aquele chocolate que temos que comer antes de dormir??? Será por causa deste sistema???

Bem, mas depois de vos falar destes 10 sistemas sensoriais distintos, a questão volta a subir à tona… Poderemos pela estimulação conjugada destes sistemas sensoriais, mudar a percepção?? Transformar como diz a Alquimia, os metais pobres em Ouro, transformar o feio em belo e o desagradável em agradável?

Aqui entram as emoções… num estudo de Rustichini (2005) publicado na Science (artigo original) confirma outros estudos anteriores que o nosso cérebro trata de forma diferente decisões ambíguas e arriscadas não respondendo a um padrão, devido ao sistema emocional. Outro estudo de Gottfried et al. (2003) também publicado na Science (artigo original) trata este mesmo tema referindo que o nosso sistema de decisão se baseia em previsões e que o valor predictivo das recompensas é atribuído por estruturas emocionais, a amígdala e o córtex orbitofrontal, logo a mesma coisa pode parecer melhor ou pior dependendo da situação.

Ora neste sentido vamos agora operacionalizar e complicar a ideia original deste comentário de correlacionar a Alquimia com o pensamento, sentidos e tomada de decisão… tarefa arrojada, não?

Sabemos assim hoje, que uma ação ou reação mental, por exemplo um pensamento, existe devido a deslocações de iões, por processos de polarização e despolarização da membrana de um neurónio, onde entra e sai fervorosamente Cloro (Cl-), Sódio (Na+) e Potássio (K+), gerando o que nós chamamos de potenciais de ação. Estes são instrumentos utilizados na Alquimia, assim como o Sal, o Mercúrio e o Enxofre que promovem a transmutação do ser humano pela Alquimia (Amarante, 2011), que pelas suas conjugações na proporção correta geram novos elementos e convertem os próprios elementos.

Existe hoje a Noética (que abordei num artigo anterior que nos fala do controlo dos campos magnéticos e eletromagnéticos), que por sua vez controlam deslocações de iões do ponto de vista eletromagnético… mas e se pretendermos criar nós essas deslocações, como que um processo alquímico? Estimular os sistemas sensoriais é o processo e o caminho para transformar Chumbo em Ouro… aos olhos do ser humano!!!

Vou dar um exemplo… imaginem que estão a comer um bife grelhado com batata frita num Shopping sentados na praça da restauração.

Saberia com certeza bem, porém agora vamos acrescentar qualquer coisa…

Vamos acrescentar a esse espaço um aroma de canela retocada com chocolate muito suave, a mesas e cadeiras passaram a ser poltronas com apoio de braços em veludo fuschia e com um misto de acetinado na toalha de mesa, além do mais a apresentação do prato passou a estar decorada com um um toque de dois tomates cherry sob um pequeno puré de ervilha com castanha e mel, acompanha com batata frita caramelizada e aromatizada com um leve toque de barbeque agridoce. O solo do restaurante passou a ser uma alcatifa muito macia aos seus pés e a música passou a ser quase tão deliciosa como o bife, podendo passar da melhor colectânea de Blues às músicas mais românticas do mundo… Além disso a inclinação forçada da cadeira a 2º para a esquerda que aumenta a irrigação das zonas da linguagem e do hipocampo e o aumento da temperatura para aquele calorzinho acolhedor sem ser em demasia que faz soltar aquela peça de roupa por forma a mostrar um pouco mais de pele. Acresce a isso o bom humor do empregado de mesa que lhe conta umas piadas e que realça o quão bela está a sua companhia.

Eu não sei a V. opinião, mas por certo este bife passou a saber muito diferente… e ainda nem acrescentamos glutamato, nem fenilanina que vão aumentar a dependência por aquele molho que tem um toque acetinado e viciante à nossa cavidade bucal!!!

E o que estamos nós a fazer senão um processo alquímico onde transformamos o mesmo bife, que antes era apenas um bife, num bife mais saboroso (por estimulação dopaminérgica), mais inesquecível (por estimulação do hipocampo), mais belo (por estimulação sensorial) e mais viciante (pela dependência de estruturas dopaminérgicas)? Não transformamos nós o Chumbo em Ouro? Não transformamos o apenas comestível em algo apetecível?

Toda a confusão aparece depois… mas será que somos enganados?

Aquele bife é o mesmo bife… mas alteramos a percepção desse bife, e isso altera tudo… inclusive o nosso prazer!!! Tudo tem a ver com os sistemas sensoriais… são eles que constroem a nossa realidade… por exemplo, quando uma pessoa do género feminino está a ver algo para comprar e o companheiro a questiona: “Necessitas mesmo disso?”, a palavra “necessitas” gera uma espécie de “choque mental” momentâneo… é uma palavra que ativa processos cognitivos superiores que apelam ao dito racional… mas quem manda são as emoções, ou o prazer! E como converter o Chumbo em Ouro nesta questão? Se pretendemos uma resposta verdadeira questionamos: “Queres isto? Gostas disto?”… mas se queremos que a companheira NÃO compre podemos estimular o LIP (lobo inferoparietal) e questionamos: “de 0 a 10 neste momento quanto precisas de comprar isso”… testem e surpreendam-se com a forma de priorização do género feminino.

Tudo se resume à codificação mental que o nosso cérebro atribui aos inputs… outro exemplo agora para o género feminino… de acordo com alguns estudos os homens como maior produção de testosterona procuram mais momentos sexuais com a sua parceira, mas não só com ela… são mais infiéis também… Todavia o que tem baixa produção de testosterona, é mais carinhoso e ajuda mais a sua parceira nas atividades do lar, mas procura menos sexo! E agora senhoras o que preferem??? Bem, se preferem aumentar a testosterona, importa saber que aumenta também a agressividade… esta substância hormonal é produzida nos testículos masculinos sendo produzida cerca de 30 vezes mais no homem que na mulher, mas é coordenada pela hipófise, uma estrutura muito próxima do hipotálamo… basta algum álcool, alguns estímulos sexualizantes (decotes grandes e saias curtas…:)) e aumentar os níveis de serotonina (com bom humor)… e começam a transformar Chumbo em Ouro… mas cuidado com os efeitos colaterais!!! 🙂

E de facto ninguém está a ser enganado… quando presenciamos mais prazer, mais felicidade, proporcionamos o verdadeiro trabalho da vida!!!

Além destas dicas, estes temas aparecem muito mais aprofundados no livro que coordenei “Influência do NeuroMarketing nos Processos de Tomada de Decisão“… mas para transformar Chumbo em Ouro precisamos de saber muito não de Alquimia, mas de NeuroAlquimia… eu diria mais… de Dopaminecision!!!! E mais uma vez recordo… ser feliz todos os dias é a fórmula alquimica para transformar a nossa vida de Chumbo para Ouro!!!

Referências sem link:

– Ackerman, D. (1997). Uma história dos sentidos. Lisboa: Círculo de Leitores.

– Amarante, E. (2011). A Ars Magna da AlquimiaI. Portimão: Apeiron Edições.

– Auvray, M & Spence, C. (2008). The multisensory perception of flavor. Consciousness and Cognition, 17, 1016-1031.

– Breslin, P. (2001). Human gustation and flavor. Flavour and Fragance Journal, 16, 439-456.

– Breslin, P. A. S. & Spector, A. C. (2008). Mammalian taste perception. Current Biology, 18(4), 148-155.

– Davidoff, L. (1983). Introdução à Psicologia. S. Paulo: McGraw Hill.

– Delwiche, J. (2004). The impact of perceptual interactions on perceived flavor. Food Quality and Preference, 15, 137-146.

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– Gobé, M. (2002). A emoção das marcas: conectando marcas às pessoas. Rio de Janeiro: Campus.

– Habib, M. (2000). Bases Neurológicas dos Comportamentos. Lisboa: Climepsi Editores.

– LeVay, S. (1991). A difference in hypothalamic structure between heterosexual and homosexual men. Science, 253 (5023), 1034-1037.

– Marcondes, P. (2003). Uma história de Amor Mercadológica. São Paulo: Editora Meio e Mensagem.

– Martin, K., Bartsch, D., Bailey, C., & Kandel, E. (2000). Molecular Mechanisms Underlying Learning-Related Long-Lasting Synaptic Plasticity. In M. S. Gazzaniga, The new cognitive neurosciences (pp. 121-137). Massachusetts: Massachusetts Institute of Technology.

– Morin, E. (1987). As grandes questões do nosso tempo. Lisboa: Notícias.

– Santaella, L. (2001). Matrizes da Linguagem e pensamento sonoro, visual verbal. São Paulo: Iluminuras.

– Solomon, M. (2002). Consumer Behaviour. New Jersey: Prentice Hall.

– St. John, S. & Boughter, J. (2008). The gustatory system. In Conn, P., Neuroscience in medicine. Beaverton: Humana Press.

– Tortora, G. & Grabowski, S. (2006). Corpo humano: Fundamentos de anatomia e fisiologia. Porto Alegre: Artmed.

– White, T. (2009). A second look at the structure of human olfatory memory. International Symposium on Olfaction and Taste:Annals of the New York Academy of Sciences.

– Wilson, D. et al. (2006). Learning to smell: olfatory perception from neurobiology to behaviour. The Johns Hopkins University Press.

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